Dra. Marcia Ferraz Nogueira
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A dermatologista Prof. Dra. Marcia Ferraz Nogueira, vestindo jaleco clínico branco e luvas estéreis, trabalha concentrada ao aplicar uma injeção de escleroterapia em vasinhos azulados na perna de uma paciente. A cena é iluminada por uma lâmpada cirúrgica em um consultório dermatológico sofisticado em São Paulo, com aparelhos médicos de alta tecnologia ao fundo.

Escleroterapia: o que eu vejo no consultório — e o que você precisa saber antes de tratar os vasinhos

18 de maio de 2026/0 Comentários/em Cirurgia Dermatológica, Dermatologia Clínica, Dermatologia Estética /por Marcia Ferraz

Ao longo de todos esses anos de consultório, uma queixa se repete com uma frequência que nunca me surpreende — mas que ainda me chama atenção pela forma como chega.

A paciente entra, senta, e antes de qualquer coisa diz: “Eu sei que é só estética, mas os vasinhos estão me incomodando muito.”

Esse “só estética” me diz muito. Diz que ela já minimizou o próprio incômodo antes mesmo de me contar o que sente. Que provavelmente já deixou de usar uma roupa, de ir a uma praia, de se sentir à vontade no próprio corpo — e que chegou até aqui achando que estava exagerando.

Não está.

Os vasinhos nas pernas — tecnicamente chamados de telangiectasias ou varizes reticulares de pequeno calibre — são uma condição vascular real. Podem ser acompanhados de dor, sensação de peso, cansaço e queimação ao final do dia. E têm tratamento eficaz, seguro e minimamente invasivo dentro da Dermatologia: a escleroterapia.

Neste artigo, vou explicar como o procedimento funciona, quais são as técnicas disponíveis, o que esperar antes e depois — e por que a escolha de quem realiza esse procedimento importa mais do que parece.

O que é a escleroterapia — e como ela age no vasinho

A escleroterapia é um procedimento em que injetamos, diretamente no interior do vasinho doente, uma substância chamada agente esclerosante.

Essa substância provoca uma irritação controlada na parede interna do vaso — o endotélio. Essa irritação leva ao fechamento progressivo do vasinho, que para de receber sangue e é gradualmente reabsorvido pelo próprio organismo.

O resultado é duplo: melhora visual da pele e redução da sobrecarga circulatória local.

Não é magia. É fisiologia aplicada com precisão.

O número de sessões varia de acordo com a extensão e o calibre dos vasos, e os resultados são progressivos — o que significa que a avaliação de retorno, geralmente entre 6 e 8 semanas após cada sessão, faz parte do protocolo, não é sinal de que algo deu errado.

A Prof. Dra. Marcia Ferraz Nogueira, dermatologista em São Paulo, usando toca, máscara e luvas, realiza com precisão um procedimento de escleroterapia, injetando uma seringa fina diretamente em um vasinho visível na perna da paciente. Ela demonstra concentração sob luz de ring light em seu consultório premium desfocado.

A dermatologista Prof. Dra. Marcia Ferraz Nogueira demonstra a precisão necessária na aplicação da escleroterapia no vasinho (telangiectasia).

Glicose ou espuma? A diferença que define o resultado

Uma das perguntas que mais recebo antes do procedimento é: “Qual substância você vai usar?”

A resposta depende de um fator clínico objetivo: o calibre e a profundidade dos vasinhos a serem tratados. Não existe técnica universalmente superior — existe a técnica certa para aquele vaso, naquele paciente.

Escleroterapia com glicose hipertônica

A solução de glicose hipertônica é uma das substâncias mais utilizadas no Brasil para o tratamento de vasinhos finos e superficiais.

É indicada para telangiectasias — os vasinhos avermelhados ou arroxeados, de pequeno calibre, localizados próximos à superfície da pele. Por ser uma substância naturalmente presente no organismo, o risco de reação alérgica é muito baixo. O desconforto durante a aplicação é passageiro e tolerável.

Escleroterapia com espuma (polidocanol)

Nesta técnica, um medicamento líquido — geralmente o polidocanol — é transformado em espuma ao ser misturado com um gás em proporção controlada.

A espuma tem uma propriedade que o líquido não tem: ela se expande dentro do vasinho, empurra o sangue e preenche toda a extensão do vaso tratado com muito mais eficiência — sendo especialmente útil em telangiectasias de calibre um pouco maior ou em regiões de acesso mais difícil.

A escolha entre as duas técnicas — ou a combinação delas — é feita na consulta de avaliação, depois de examinar cada caso individualmente.

Uma mulher elegante sentada confortavelmente em uma cadeira dermatológica branca premium, lendo uma revista. Suas pernas estão relaxadas e mostram claramente telangiectasias e vasinhos superficiais nas canelas e tornozelos, junto com meias de compressão leves. O fundo mostra um consultório sofisticado desfocado em São Paulo com carrinho de material médico.

A queixa frequente no consultório dermatológico: vasinhos superficiais nas pernas que geram desconforto estético e, às vezes, físico.

Antes do procedimento: o que preparar

O resultado da escleroterapia depende tanto da técnica quanto dos cuidados que antecedem a sessão. Estas são as orientações que dou a todas as minhas pacientes:

Pele limpa: não aplique cremes hidratantes nas pernas nas 24 horas anteriores à sessão.

Exposição solar: evite sol prolongado nas pernas por pelo menos 10 dias antes do procedimento. A pele exposta ao sol recente responde de forma diferente ao agente esclerosante.

Roupa: venha com roupas largas e confortáveis. Você sairá com pequenos curativos nas áreas tratadas.

Depois do procedimento: como proteger o resultado

O pós-procedimento é tão importante quanto a sessão em si. Estas são as orientações que garantem o melhor resultado:

Primeiras 24 horas: evite ficar em pé por longos períodos e não realize exercícios de alta intensidade — musculação pesada e corrida. Atividades leves podem ser mantidas.

Curativos: retire apenas 24 horas após a sessão. Esse também é o momento ideal para o primeiro banho.

Sol: evite exposição solar nas áreas tratadas por pelo menos duas semanas. O sol sobre a pele em processo de cicatrização aumenta o risco de hipercromia — manchas escuras que podem ser persistentes.

Close-up das pernas de uma paciente sentada em uma maca clara de consultório médico, mostrando pequenos curativos adesivos beges aplicados na região da canela e panturrilha logo após a sessão de escleroterapia para varizes. O fundo exibe o ambiente sofisticado e desfocado de uma clínica dermatológica no Morumbi, em São Paulo.

Após a sessão de escleroterapia, pequenos curativos adesivos são aplicados nos pontos tratados e devem ser mantidos por 24 horas.

Por que o procedimento exige médico — e por que isso importa

Preciso ser direta neste ponto.

A escleroterapia é um ato médico privativo. Não por burocracia regulatória — mas porque envolve conhecimento profundo de anatomia vascular, farmacologia, fisiologia circulatória e manejo de complicações.

Quando realizada por profissionais sem formação médica, os riscos são reais e podem ser graves: hipercromia persistente, hematomas extensos, reações alérgicas, flebite e formação de escaras de difícil resolução.

Não estou dizendo isso para assustar. Estou dizendo porque vejo, no consultório, pacientes que chegam com complicações de procedimentos realizados em ambientes inadequados — e que precisam de tratamento muito mais complexo do que o original.

A segurança do procedimento não está apenas na substância injetada. Está em quem avalia, decide, executa e sabe o que fazer se algo não correr como esperado.

O que esperar dos resultados

Os resultados da escleroterapia são progressivos e individuais.

Nas primeiras semanas após a sessão, é normal que a área tratada apresente vermelhidão, pequenos hematomas ou escurecimento temporário — são sinais de que o processo de fechamento vascular está ocorrendo.

A melhora visual se consolida ao longo de 6 a 8 semanas. Nesse momento, faço a reavaliação para verificar quais vasinhos responderam completamente e quais precisam de sessões complementares.

Não existe promessa de resultado em sessão única. Existe um protocolo individualizado — construído a partir do exame clínico de cada paciente.

É importante esclarecer: a escleroterapia trata vasinhos — telangiectasias e varizes reticulares de pequeno calibre. Varizes tronculares de maior diâmetro são condição vascular que exige avaliação e tratamento pelo cirurgião vascular. Na dúvida sobre qual especialidade procurar, a consulta dermatológica de avaliação já orienta o caminho correto.

Uma última coisa antes de agendar

Se você chegou até aqui, provavelmente já está considerando o tratamento. Antes de agendar, quero que você saiba o seguinte: A consulta de avaliação não é uma formalidade. É onde examino suas pernas, entendo o histórico vascular, identifico os vasinhos que precisam de atenção e defino o protocolo mais adequado para o seu caso.

Cada perna conta uma história diferente. E o plano de tratamento precisa respeitar essa história.

Se você está pronta para dar esse passo, agende sua consulta.

Prof. Dra. Marcia Ferraz Nogueira é dermatologista com mais de 25 anos de atuação clínica e docente universitária. Atende em São Paulo, nos bairros do Morumbi e Jardim Paulistano.

https://marciaferraznogueira.com.br/wp-content/uploads/2026/05/dra-marcia-ferraz-nogueira-tratamento-vasinhos-escleroterapia-scaled.png 1429 2560 Marcia Ferraz https://marciaferraznogueira.com.br/wp-content/uploads/2023/07/MFN_Horizontal2_680X312_DarkLetter.png Marcia Ferraz2026-05-18 16:39:052026-05-18 16:40:12Escleroterapia: o que eu vejo no consultório — e o que você precisa saber antes de tratar os vasinhos
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